Poesia Marginal

Talvez você até goste de poesia,
Mas aquela de Drummond…
Com palavras rebuscadas, erudita, classista,
Eu até entendo!

Confesso que desde pequena tenho dificuldades de apreciar arte
Que não esteja impregnada de realidade.
Uma perspectiva bem subjetiva,
Subversiva.
Escrevo sobre o que aflige a alma!

Não do meu umbigo,
O coletivo,
Dos excluídos.

Não digo nem que é militância,
É pra te fazer ao menos raciocinar,
Sobre a dor do outro.,
É para ser debatido, questionado, resolvido.

Existe um muro invisível,
Mas de um lado e de outro,
Sentimos a divisão.

Respeita a luta irmão!

Eu até queria, de vez em quando, escrever versos brandos,
Alcançar o público “politicamente correto”,
Mas a cada segundo tem criança sendo excluída,
Das brincadeiras,
Nas escolas, no condomínio…
Pela pele preta.

Tem sangue nos becos, “confundiram” o neguinho – 80, OITENTA tiros!
Tem mina preterida pelo “mô” – para andar de mãos dadas pode até ser preta, mas não retinta.
E viva o colorismo…

Eu tento, juro que tento romantizar meus versos,
Mas o racismo não dá sossego,
Não há trégua.

E vão continuar tentando nos calar,
Minimizar.
Convencer-nos que somos vitimistas,
Isso não vai acabar.

O preto é a mira do Estado,
É só dizer que é traficante e pronto!
Todo mundo acredita, já dizia o WJ

Rafael Braga, só mais um na estatística.
E não deixaremos esquecer Marielle,
Presente!

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