Na verdade, fé a gente até tem… O que falta é força

Conversando com uma amiga esses dias sobre algo que estou passando, ela me disse: “na verdade, fé você tem… O que te falta é força“. E eu fiquei pensando a semana toda nessa frase, fui confrontada, indiretamente ela me instigou a sair da “zona de conforto”. Porque convenhamos, lutar pelos nossos sonhos às vezes cansa! E pior, quando fincamos raízes no problema, perdemos o norte do que realmente queremos. Quantos projetos nós pausamos ou sequer começamos por desânimo todos os anos? Reflita.

E aqui, quando falo de “força” é no sentido literal. Fazer força dói, mas a dor gera vida, aprendizado, resistência e principalmente resiliência. Não sou mãe, nem esse post nada tem a ver com maternidade, mas o exemplo do parto é uma das melhores respostas do céu e da natureza, de que a força, impulsionada para o bem, gera frutos e sorrisos a curto, médio ou longo prazo.

Não é só a mulher que sente dor na hora do parto, o bebê também sente. Afinal, é a primeira vez que o ar entra em seus pulmões e… ele chora. Contudo, em alguns momentos, chorar é um ótimo sinal, oxigênio é vida! E isso me remete a outra reflexão… Nove meses de conforto, mas na hora certa precisamos sair do aconchego e encarar o mundo, os perigos e boas surpresas que a vida naturalmente nos traz.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz“.
Eclesiastes 3:1-8

Tem situações que enxergamos como barreiras intransponíveis, que só a mesmo para nos sustentar, mas tem outras, que precisamos decidir suar, persistir até alcançar. Lembrei do meu 2º livro parado, dos meus projetos de ressocialização engavetados, do blog sem visualizações… E atualmente, da minha inconstância generalizada em quase tudo na minha vida. Meu coração doeu! A sensação é de frustração. Fazer e não fazer, os dois tem consequências, então na maioria das vezes, muitos de nós, optamos pelo que “dá menos trabalho”, a inércia. Precisamos mudar isso, né? Mas quem disse que é fácil? Eu bem sei que não é.

Queria ter uma conclusão para esse post, mas ainda estou reconstruindo as minhas bases e repensando alguns conceitos. Bora fazer uma lista do que precisamos retomar, mudar, ou mesmo parar esse ano? Tem algo que eu possa te ajudar? 

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A inocência torna a legenda bem mais simples…

Foto: Lucas Landau

Oi menino, como se chama?
Admirado com o espetáculo dos fogos?
Realmente é incrível!
Essa água deve está gelada, você é corajoso (Risos)

Em meio a uma multidão preocupada com “selfies” e “ao vivo”,
Você estava conectado apenas com o céu.
A invenção dos homens no painel de Deus.
Sua inocência tornou esse momento quase mágico,
E como está em extinção contemplear o belo sem câmeras,
O mundo ficou chocado com tanta naturalidade.

Um menino de 9 anos, negro. Não podia deixar de mencionar…
Afinal, quando viram sua foto foi apenas o que enxergaram,
E não faltou imaginação para narrarem sua história.

Sentiram pena, fizeram textão, chamaram de hipócritas a massa “de branco” atrás de ti,
Foi nessa parte que não entendi, criaram milhões de legendas para você.

Também tentei compreender o contexto,
Mas quando comecei a escrever, fiquei te olhando por um tempo…
E o que enxerguei foi apenas um menino,
Extasiado com os fogos de Copacabana.

Ser criança está difícil. E se for negra então…
                                                                Sigamos. 

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Novembro – “Mês da consciência negra”

Então… Chegamos no fim do mês da “Consciência Negra”. E qual o saldo dessa data “reflexiva”? Afinal,  mesmo quando “esquecemos” a cor da nossa pele,  a sociedade nos lembra…

Criada em 2003, a data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Segundo pesquisas, a ocasião é “dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira“.

Exatamente no dia 20 eu participei de uma mesa de conversa com profissionais negros, realizado no Museu Histórico de Campos dos Goytacazes, a convite de Cida Chagas, criadora e coordenadora do Projeto Black e Cia. E o que pude perceber, aliás, confirmar… Foi que, por mais que a inserção do negro no mercado de trabalho esteja aumentando, ainda somos a “cota”. Ainda duvidam da nossa capacidade intelectual, questionam nosso cabelo natural em ambientes onde predomina-se o esteriótipo europeu, somos alvos de piadas e olhares tortos. Ainda.

Eu li em alguns lugares, pessoas defendendo a expressão “Consciência Humana”, pois “somos todos iguais”. Até concordo que somos todos iguais, perante à Deus somente. Porque nem mesmo na lei há equidade. Se um branco e um negro são flagrados com determinada quantidade de entorpecentes, a probabilidade do branco ser enquadrado como “usuário” e o negro como “traficante”, é de quase 100%.  Não é a toa que mais de 70% da população carcerária do Brasil é negra.

Segundo informações do do Atlas da Violência 2017, de 2005 a 2015, enquanto a taxa de homicídios por 100 mil habitantes teve queda de 12% entre os não negros, para os negros houve aumento de 18%. Para a ONU, o racismo (e aqui eu pontuo, racismo escrachado e principalmente velado) é uma das principais causas históricas desta situação de violência e letalidade a que a população negra ainda está submetida.

É cansativo debater com pessoas não negras que não sentem na pele a discriminação pela sua cor de pele e é mais cansativo ainda, entender negros que sempre estiveram numa posição privilegiada e sequer possuem a empatia de entender sua história, sua ancestralidade, de olhar entorno e observar o racismo chutando as portas de anônimos, famosos, adultos e crianças, porque nem elas são poupadas.

Não tenho nada inovador ou extraordinário para dizer nesse post. A luta, a resistência é diária, são 365 dias por ano. O racismo não nos dá folga. Conhecimento é o único legado que não podem nos tirar, precisamos nos posicionar.

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Outubro Rosa

Ei, mulher? Como você se chama?
Já olhou no espelho, tocou seus seios hoje?
Não sinta vergonha, se sinta.
O diagnóstico precoce faz toda diferença.

O que foi? Notou algo diferente?
Um nó, um nódulo, palpitação?
Procure um médico, eu vou com você.
Estou com você.

O processo é doloroso, eu sei.
Contudo é necessário, uma fase com início, meio e fim.
Levante essa cabeça, tome fôlego, mantenha a mente sã.
Vou te dar um lenço bem bonito,
E te trazer à memória, lembranças que te façam sorrir.

Percebi que sentiu medo durante a cirurgia…
Mas acabou! Não há sequer vestígios.
Sou grata à Deus por sua vida, por estar viva, por ter renascido.
E de agora em diante, quando eu te chamar
MULHER
Nossos olhos vão brilhar!
Você o venceu.

Vamos recomeçar?

Ei, mulher? Como você se chama?
Já olhou no espelho, tocou seus seios hoje?
Não sinta vergonha, se sinta.
O diagnóstico precoce cura. Ame-se ❤

 

#outubrorosa  Mês de prevenção e conscientização do diagnóstico precoce do câncer de mama.

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Na minha pele – Lázaro Ramos: minhas impressões

Ganhei de presente do meu tio, pena que não chegou a tempo de levar na Bienal para o Lázaro autografar.

Na Minha Pele não é uma autobiografia, como ele mesmo diz. Mas trata-se se um coletivo de vivências, de forma muito franca e consciente.

Demorei um pouco para terminar, estou enferrujada. Antigamente eu devorara livros e livros num só dia, mas depois que ler passou a ser obrigação, eu desanimei. Enfim, fazia muito tempo mesmo que eu não lia um livro inteiro que não fosse jurídico, mas a “viagem”, como o Lázaro chama, me tirou do eixo, foi emocionante, surpreendente e o melhor, me fez perceber o quase nada que sei sobre mim mesma.

Nunca fiz resenha de um livro, mas vou dar minha sincera opinião.

Logo no início um trecho encheu meu coração de esperança: “Sou uma exceção, e história de exceção só confirma a regra. Fazer mais um livro sobre o ponto de vista de uma exceção não ajuda em nada a questão da exclusão dos negros no Brasil. Meu Deus, como fazer um relato quase autobiográfico sem tornar o texto uma apologia a mim mesmo e a meus pares um pouco mais bem-sucedidos?”

Li umas 4 vezes e fiquei uns minutos pensando… Cara! Não esperava menos do Lázaro (como se eu o conhecesse hahaha), mas a pessoa o qual ele se mostra na tela da minha TV, estava ali “comigo” naquele livro, mostrando suas entranhas (acredito que a escrita revela muito mais do ser humano do que a fala) e ratificando toda sua humildade e consciência na medida certa de quem ele é, e do que representa na sociedade. Lázaro, gratidão! Torceria o nariz se você viesse com aquele discurso “se eu consegui, você também consegue”. Mesmo que lá no fundo a gente saiba que até poderíamos, o que ele disse, faz a gente chegar bem mais perto do “céu”.

Ele começa contando sobre sua infância na Ilha do Paty – Salvador/BA, sua formação familiar, suas raízes e a construção da sua autoestima. Até então, ele não havia “sentido na pele” o que era ser negro em nosso país. Como muitos de nós, até sairmos da nossa “zona de conforto”. Contudo, a rejeição na fase escolar, logo o inseriu nesse processo…

Relata com sensibilidade, questionamentos e força de vontade, sua trajetória como ator ( e aqui ele nos faz raciocinar: “ator negro” ou simplesmente “ator”?).

Já depois da metade do livro, a gente ratifica em nosso coração que “Nosso lugar é aonde nós sonharmos estar” e concordamos que “Mesmo quando tentamos esquecer que somos negros, alguém nos lembra”.

Lázaro me surpreendeu, quando contou sobre a recusa de trabalhos que tivesse que usar arma de fogo. “Fugiu” de papéis onde ele seria o negro escravizado ou marginal, por exemplo. Aí eu fiquei pensando, que “recado” eu tenho passado ou deixado de passar (o que é pior) na minha profissão (e pense na sua também, leitor), conclusão: senti vergonha de mim.

Chegando ao fim, Lázaro mostra que está bem antenado em temas como: empoderamento, sororidade, representatividade e solidão da mulher negra, diariamente “gritados e sussurrados” na blogosfera e no Youtube, pelos influenciadores digitais, que foram gentilmente citados por ele (precisamos de voz).

Até então, eu estava o achando bastante polido com os não negros, mas os momentos finais da “viagem” foram de revirar o estômago… “Não é natural as pessoas de tez mais escura serem maioria nos presídios, favelas e manicômios“. “Um negro se dá conta da sua etnia a cada olhar que recebe (de desconfiança, de surpresa, de repulsa, de pena) ao entrar em um lugar“. Lázaro cita dados sobre o genocídio da população negra – “dos 30 mil jovens mortos no Brasil, 77% são negros. Caro leitor, você acha isso “mera coincidência”? “Mulheres negras recebem menos anestesia, pois seria mais resistentes à dor“. Nesse momento, se os leitores não negros não compreenderam a dimensão “da coisa toda”, aqui o Autor faz questão de deixar bem claro!

“Meus amados amigos brancos, vocês tem, sim, que pensar muito sobre isso ao educar seus filhos. Afinal, eles têm que ter o compromisso de tornar toda essa merda um lugar um pouco melhor. Têm que saber que tem gente que recebe tapa na cara de polícia com dez, doze anos de idade, só por uma suspeita”.

Não me lembro de ter sorrido muito nesse livro, afinal, falar de dor não tem graça. Conforta-me saber que hoje tem alguém dando voz à comunidade negra, que não é só eu que fico sem respostas (indignada) quando algum negro vem sem qualquer empatia falar sobre sua “história de exceção”, fico feliz demais em saber que tem um negro reconhecido internacionalmente (graças a Deus), lutando por nós (Sim! Este livro desmorona muros, outrora inalcançáveis), meros mortais. 

Parece óbvio, mas não é. Neste livro descobri que você “é de verdade”. Gratidão Lázaro!

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