Sobre uma mina preta

Uma infância de apelidos, pensava que era normal,
Seu cabelo, suas formas odiava por não ser “tradicional”,
Cresceu preterida, mais uma na estatística da solidão…
Sororidade irmã, tamo junto nessa desconstrução.

Uma mídia elitista, machista incita a cultura da mulata tipo exportação,
No carnaval somos musas, mas liga a TV e conta quantas pretas aparecem, tirando as empregadas e histórias da escravidão.

Racismo velado? Só se for pra você, mina de pele clara, traços finos, cabelo alisado, esteticamente aceitável… Salve, salve o colorismo nega!

Agora, deixa teu black crescer, põe seu turbante e dá um rolê pra tu ver…
Dói irmã. O racismo é escrachado!

Mina preta é resistência, luta, resiliência.
Na treta sua pele preta já lhe faz suspeita…
São maioria nas penitenciárias brasileiras.
Justiça? Depende de quanto você tem…

Cansamos heim!
Vamos enegrecer esse planeta.
Queremos ver pretas retintas em todas as classes, empregos e propagandas,
Representatividade, respeito, igualdade de direitos…
Nossa carne é a mais barata do mercado, já dizia Elza Soares…

Difícil ser mina preta!

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Rafael Braga – Mais um na estatística do nosso sistema penal racista e seletista

Rafael Braga, o único condenado nas manifestações de junho 2013.

Na audiência de ontem, terça, dia 01/08/2017, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, dois desembargadores votaram pela manutenção da prisão e um pediu vistas. 

Você o conhece?

Rafael é um homem, negro, pobre e na época, catador de produtos para reciclagem, não estava participando das manifestações, mas foi preso e condenado a 5 anos de reclusão em regime fechado, por “acharem” que “supostamente ele “poderia” produzir um coquetel molotov, por estar com uma garrafa de “Pinho Sol” (desinfetante) e uma de cloro. Pasmem!

O lauto técnico do esquadrão anti-bomba concluiu que, o material (Pinho sol e o cloro) tinha mínima aptidão e ínfima possibilidade de funcionar, ou seja, NÃO ERA INFLAMÁVEL! Ainda assim, a condenação por “porte de aparato incendiário ou explosivo” foi mantida. Essa é a nossa “justiça“.

Em dezembro de 2015, a defesa recorreu e conseguiu o “benefício” do regime semi-aberto, onde Rafael passou a ser monitorado por uma tornozeleira eletrônica, em outros termos, passou a “andar carimbado“. Teoricamente essa medida é mais benéfica ao réu, mas quando há o detalhe do cidadão ser negro, pobre e morador de favela… Aí amigo, é tenso!

Certo dia, Rafael foi comprar pão para sua mãe, no Complexo do Alemão (comunidade no bairro da Vila Cruzeiro) quando foi abordado por policiais que ao verem seu “carimbo“, o questionaram o “porque da tornozeleira“, segundo seu depoimento, ele respondeu que “estava respondendo por manifestações”. Não satisfeitos, os policiais o indagaram a respeito do tráfico de drogas em sua localidade, mas a resposta de Rafael não agradou – “não posso ajudar pois não conheço quem é do tráfico“.

Estava assinado mais uma condenação. Rafael narra que, os policiais descontentes por ele “não poder colaborar”, o agrediram e o prenderam, além de “plantarem” um rojão, 0,6g de maconha e 9,3g de cocaína em sua conta. Normal, né? O famoso “flagrante forjado“.

Resultado: condenado a 11 anos de prisão, mais multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Observações: depoimentos contraditórios dos policiais, única testemunha de defesa ignorada. Aplicação da lei? Não! É seletividade do sistema penal

Vamos rasgar a Lei de Drogas (11.343/06), porque o que de fato determina se a pessoa é usuária ou traficante, não é a quantidade, não é! É a sua cor de pele, sua classe social, acredite! Pesquisas demostram que a mesma quantidade de drogas em áreas nobres da cidade é tida como “uso”, mas em regiões “periféricas”, como “tráfico”. 

Rafael foi preso sozinho, com R$ 3,00 (três reais) no bolso, sem qualquer prova de associação ou permanência em local que pudesse caracterizar venda, e uma série de questões infundadas que evidenciavam o flagrante forjado em que ele foi submetido, mas nada disso foi suficiente para provar que o negro, pobre, favelado é inocente! Dói.

A luta continua! #LibertemRafaelBraga

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Mamãe, não alisa meu cabelo!

Mamãe, não alisa meu cabelo,
Cuida dele, me faz resistente ao preconceito!
Essa é minha identidade,
Empodere-me desde criança.

Deixa meu crespo subir,
Deixa meus cachos saírem do lugar…
Por que quer a todo tempo arrumar?
Deixa eu brincar!

Diga que sou linda assim, de black, nagô, solto, penteada…
Ensine-me a não ficar calada,
Se disserem que “tenho alguma coisa errada”.

Mamãe, pensando bem…
Queria te ver natural também!
Sinto falta de um exemplo em casa.

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