Sobre uma mina preta

Uma infância de apelidos, pensava que era normal,
Seu cabelo, suas formas odiava por não ser “tradicional”,
Cresceu preterida, mais uma na estatística da solidão…
Sororidade irmã, tamo junto nessa desconstrução.

Uma mídia elitista, machista incita a cultura da mulata tipo exportação,
No carnaval somos musas, mas liga a TV e conta quantas pretas aparecem, tirando as empregadas e histórias da escravidão.

Racismo velado? Só se for pra você, mina de pele clara, traços finos, cabelo alisado, esteticamente aceitável… Salve, salve o colorismo nega!

Agora, deixa teu black crescer, põe seu turbante e dá um rolê pra tu ver…
Dói irmã. O racismo é escrachado!

Mina preta é resistência, luta, resiliência.
Na treta sua pele preta já lhe faz suspeita…
São maioria nas penitenciárias brasileiras.
Justiça? Depende de quanto você tem…

Cansamos heim!
Vamos enegrecer esse planeta.
Queremos ver pretas retintas em todas as classes, empregos e propagandas,
Representatividade, respeito, igualdade de direitos…
Nossa carne é a mais barata do mercado, já dizia Elza Soares…

Difícil ser mina preta!

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Contudo, off-line é bem melhor…

Reúne os amigos, faz pipoca de panela, junta, tira foto!
Viaje com eles, de boa, desliga o celular.
Extasie-se com a brisa do mar, põe um som pra tocar…
Aqueça-se na fogueira cantando canções que vier à mente.

Delícia é olhar no olho, tocar a pele,
Bom mesmo é um abraço apertado, diferente de um emotion na tela.
Nostalgia uma sessão de cinema, dominó, dama, paciência!
Saudade das gargalhadas desesperadas da adolescência.

A vida modernizou… Claro!
Veio o twitter e tornou tudo tão vago
Tornou-se vício, postar realidades falsas no Insta.

Tem disputa de ego na web, deu curto na rede!
Estar on-line virou quase obrigação.
Contudo, off-line é bem melhor.

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Pediram-me para falar de “amor”

Pediram-me para falar de amor,
Fiquei meio encabulada.
Combustível que consome a humanidade,
Eros. Está por toda parte.

Phileo, alguém o conhece?
Costumava ser presente,
Em outras gerações…
Um amor altruísta, que hoje está em extinção.

E quem sobrevive,
Em meio a tanto egoísmo?
Eros e Phileo não se sustentam sozinhos…

Necessário um amor intransponível, paciente, benigno,
Esse sim… Inspira-me!
Ágape. O amor de Cristo.

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Aborto? NÃO!

Susto! Não era a hora.
Será mesmo? Não existe erro nos planos de Deus.
A vida começa na concepção,
Não seja conivente em sacrificar um inocente.

As circunstâncias se tornam gigantes,
O medo invade a mente,
Um desespero que cega…
Mas acredite, a cicatriz na alma permanece.

Menina, mulher, você já nasceu guerreira.
Ser mãe é um desafio, eu sei!
Mas Aquele que gerou o milagre, cuidará de ti a cada amanhecer.

Tenha coragem em dizer NÃO!
Tudo que esse pequeno ser precisa, é de você.
Dê uma chance para quem ainda não pode se defender.

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24 de maio – Dia do detento

24 de maio, dia do detento.
Dia de comemorar as lágrimas diárias de uma mãe;
Dia de celebrar a revista feminina humilhante nos presídios;
Mais um dia sem ter sequer a previsão de um julgamento.

Dia do detento. Por que mesmo?
Hoje não terá ratos e baratas nas celas?
A refeição será entregue de forma digna?
Corpos não serão mutilados neste dia?

O processo vai andar Excelência?
Hoje é nosso dia.
Mas chutaram a barriga da mina, chamaram de vagabundo aquele que ainda está no ventre.

O sangue está correndo pelas grades;
LEP é utopia, o Estado mata mais do que a facção rival.
Dia do detento. Talvez seja para movimentar o “comércio” local.

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