Entendi e aceitei que não sou obrigada, daí ficou tudo mais fácil…

Eeee tempão! Só para constar, está tudo bem por aqui rs

Um turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo, minha mente parou, eu precisei desacelerar. 

Assim como milhares de mulheres, eu me exigia dar conta de trabalhar fora, cumprir com louvor todas as tarefas de casa, postar no blog regularmente, interagir com os amigos, responder em tempo real as mensagens do Whats, estar antenada com o que acontece no país, assistir ao menos um jornal por dia, ser exemplo de alguma coisa na vida, e lógico, uma super esposa. Só esqueci de um pequeno detalhe, ser eu.

Meu sonho era passar o dia de pijama de algodão e pantufas, de cara limpa assistindo seriados que me façam gargalhar como na infância. Mas enfim… 

Deus me fez uma surpresa final de julho (em breve vocês saberão), que me fez compreender de forma plena, o quão mal administramos o tempo que Ele nos deu! O resultado? Insatisfação contínua, depressão, doenças psicossomáticas, suicídio! 

Fomos ensinadas que podemos fazer até dez tarefas ao mesmo tempo, de fato. Mas para que? Se você não lavar a louça hoje a noite, depois de um dia exaustivo de trabalho, qual a consequencia tão grave que a espera? Eu poderia citar tantos exemplos… Mas quero que entenda e aceite, não somos polvo! Faça uma coisa de cada vez, ou simplesmente não faça. Permita-se não pirar!

Isso é questão de saúde mental! Respeite o seu limite. Entenda os sinais que o seu corpo te dá quando algo não vai bem. Não se culpe por fazer uma tarefa por dia, se assim quiser, tenha certeza que está prolongando seus dias na terra. 

Você está estafada, quase tendo um infarto, mas prefere manter a pose do sorriso dizendo a todos que está tudo bem, que você consegue, afinal, somos mulheres! Ei, para com isso! É loucura.

Eu falo bem disso no meu próximo livro – Tempo Indigesto. Logo na primeira página te convido a raciocinar…

“Quando tudo se cala ao nosso redor, ao ponto de ouvirmos nitidamente nossa respiração, então enxergamos quem somos quando ninguém vê. A fragilidade disfarçada num sorriso é despida completamente diante do espelho. Algum dia deixaremos de sentir medo? Penso que não. Ser adulto é um infinito frenesi.

Século XXI, estamos desesperadamente tentando conquistar o mundo, inquietos em busca de eternas e insaciáveis superações, cargos, títulos, nomenclaturas… Homens frustrados por não conseguirem cumprir seu cultural papel de macho alfa, provedor da casa; mães em crise por realmente acreditarem que deveriam ser heroínas para seus filhos; jovens insatisfeitos em todo o tempo, aumentando a cada segundo a estatística de suicídio no país… Necessitamos desacelerar, URGENTE!

Lembra-se de quando era criança? Aquele sorriso solto, curiosidade da vida, esperança intocada! Não é nostalgia leitor, é uma parte de ti (de nós) que foi atropelada pela “fase adulta”. Precisamos recuperar, tomar fôlego e recomeçar…”

Até mais

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Sobre o dia da “mulher negra”

Então… Sobre 25 de Julho –  Dia da Mulher Negra
 
Quantos textos e poesias eu já fiz sobre a mulher negra, não é mesmo? Algumas mentes desatadas, outras permaneceram empacadas. Ser MULHER NEGRA não me torna inferior, mas exige-me uma consciência de “quem eu sou” na sociedade.
 
Não é novidade que o padrão de beleza é eurocêntrico, mulher branca, traços finos, cabelo liso. É a “preferência” mundial. A mulher negra é preterida desde sempre. Apelidos na infância, solidão ao crescer.
 
Racismo é um problema social, estrutural e permanente. A mulher negra tem demandas específicas e urgentes! Nosso cabelo natural NÃO é moda, NÃO é estilo, é nossa identidade! Entendem? Queremos ser respeitadas e aceitas em nosso ambiente de trabalho sem olhares tortos ou opinião besta que “ficamos melhor escovadas”.
 
Até porque… Isso foi a cultura infeliz, enraizada, de que assim, nossa aparência não seria de “relaxada”.
 
Estou me esforçando para achar aqui, um ponto bom a dizer… Sim, estamos avançando, ocupando lugares, sendo notadas! Mas ainda somos a cota.
 A cota na publicidade
Na mídia
Nas universidades…
Mas a burguesia grita: “fora macacos cotistas, né?”
 
Cansamos de chorar pelo genocídio do nosso povo preto, 111 tiros! Nossas mães não aguentam mais! Pra eles… São apenas mais um.
 Na estatística.
 
Nossa pele preta já nos torna suspeitos, nos julga e nos condena! Não adianta recurso, eu bem vejo no sistema! Preto é culpado, é traficante; branco é viciado, usuário, coitado!
 
Violência obstétrica – somos o alvo.
Nações escravizadas. Querem nos fazer de isca…
Mulher negra – não somos só corpos.
Não somos
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Mina preta

Uma infância de apelidos, pensava que era normal,
Seu cabelo, suas formas odiava por não ser “tradicional”,
Cresceu preterida, mais uma na estatística da solidão…
Sororidade irmã, tamo junto nessa desconstrução.

Uma mídia elitista, machista incita a cultura da mulata tipo exportação,
No carnaval somos musas, mas liga a TV e conta quantas pretas aparecem, tirando as empregadas e histórias da escravidão.

Racismo velado? Só se for pra você, mina de pele clara, traços finos, cabelo alisado, esteticamente aceitável… Salve, salve o colorismo nega!

Agora, deixa teu black crescer, põe seu turbante e dá um rolê pra tu ver…
Dói irmã. O racismo é escrachado!

Mina preta é resistência, luta, resiliência.
Na treta sua pele preta já lhe faz suspeita…
São maioria nas penitenciárias brasileiras.
Justiça? Depende de quanto você tem…

Cansamos heim!
Vamos enegrecer esse planeta.
Queremos ver pretas retintas em todas as classes, empregos e propagandas,
Representatividade, respeito, igualdade de direitos…
Nossa carne é a mais barata do mercado, já dizia Elza Soares…

Difícil ser mina preta!

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A mulher negra no Judiciário

Uma das pautas mais importante e menos discutida hoje é a visibilidade da mulher negra no Judiciário. Ano 2018, e ainda somos diariamente violentadas por olhares de desdem, os motivos? Nossa cor, nosso cabelo. Mulheres com medo (pasmem) de perderem clientes ou serem “destratadas” por magistrados, submetem-se a procedimentos químicos capilares para ficarem “esteticamente aceitáveis“.  Precisamos conversar sobre isso!

Mayara Silva de Souza, advogada, poeta e ativista social.

A população negra representa mais de 60% do país, mas ainda causamos polêmica quando assumimos nosso cabelo natural dentro de ambientes elitizados, cuja maioria ainda é machista e eurocêntrica. São inúmeros os relatos de discriminação racial dentro do Judiciário, e quando colocamos isso em pauta, tentam nos silenciar! É cruel.

O racismo é uma estrutura de poder e aqui no Brasil na maior parte das vezes é velado, minimizado, e por este motivo precisamos de diversos atos políticos para combater e desconstruir toda essa estrutura hipócrita, enraizada na sociedade brasileira. Enfrentamos a barreira do preconceito, ironicamente no local onde mais deveria existir “igualdade de direitos”. 

Numa entrevista para a Revista Planeta, a advogada Mayara Silva de Souza relatou:  “Quando digo que sou advogada, escuto uma interjeição de surpresa. Quantas amigas brancas são advogadas e ninguém se surpreende? Quero que nosso cabelo e nossa cor deixem de ser polêmica… As pessoas precisam entender que, quando estiver bom para a mulher negra, estará bom para todos“.

A luta, o enfrentamento é diário, mas ele se mostra invisível e inúmeras vezes desapercebido por autores e vítimas. Precisamos nos posicionar em todo o tempo, denunciar o racismo, o preconceito de gênero, ocupar e resistir!

Lembro da cerimônia de entrega da carteira da OAB,  na cidade de Campos dos Goytacazes, eu, a única negra. Ainda usava o cabelo alisado, e nesse dia “caprichei na prancha”, para não “destoar” do ambiente que eu iria. Mas não adiantou, era inevitável não reparar os olhares, a princípio curiosos, pois além de negra, eu era nova na cidade, ninguém me conhecia… Hoje, quando passo pelos corredores do fórum com meu cabelo black, vejo os olhares de nojo, curiosidade, reprovação e também de empatia (quando outra negra passa por mim).

2015, minha mãe orgulhosa, me acompanhando na cerimônia de entrega da carteira da OAB.

Necessário identificarmos e compreendermos as demandas do nosso local de fala, do nosso ambiente de trabalho. Queremos, precisamos de representatividade em todos os lugares! Então diga-me, qual é o seu local de fala, conte-me suas experiências. 

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Sororidade seletiva ou mito?

Uma senhora quis marcar consulta na clínica onde eu trabalho essa semana… Para o procedimento que ela queria, tinha dentista homem e mulher, e ela fez o seguinte “pedido”: – “Melhor marcar para o *****, acho que dentista homem tem mais competência para fazer isso sabe“. Meu! Eu estava distraída, seria mais uma conversa de balcão, mas eu olhei indignada para aquela moça, que nem sequer conhecia qualquer um daqueles profissionais! 

Se você caiu de paraquedas aqui no blog e como essa senhora (acredito eu), nunca ouviu o termo sororidade, eu explico, aliás, o Google: “Sororidade é a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum“. 

Do ponto de vista do feminismo, a sororidade consiste no não julgamento prévio entre as próprias mulheres que, na maioria das vezes, ajudam a fortalecer estereótipos preconceituosos criados por uma sociedade machista e patriarcal. 

Bem, não sei quem criou esse termo, mas desde a primeira vez que eu o ouvi, achei bem utópico. Mulheres preterem outras todos os dias! Se você fizer uma pesquisa, menos de 10% das mulheres vão dizer que preferem ser chefiadas por outras, mas isso é cultural, fomos ensinadas a sermos rivais, competir em todas as áreas, realmente não é fácil, o processo de desconstrução é lento.

Mexeu com uma, mexeu com todas“, esse slogan tem vinculado diversas mídias, traduzindo o significado do termo sororidade, mas na prática não é bem assim que funciona. Já ouvi diversas mulheres especulando que “decote” e “saia curta” são convites para o estupro, ou seja, para elas, a culpa é da vítima. O pior foi aonde eu ouvi tamanho absurdo, na sala da OAB. Quase vomitei. 

A tal união que o termo propõe, na minha percepção, apenas acontece em grupos que tem objetivo em comum, e não para o bem geral feminino. Sororidade entre a mina da zona sul e a da favela; entre a patroa e a empregada é mito! A parceira é seletiva e isso dói.

Percebo em alguns debates na rede social, inúmeras mulheres querendo silenciar outras, minimizar preconceitos que algumas sofrem, baseados nos privilégios que possuem. Sororidade entre mulheres brancas e negras, só funcionam até a página dois, essa é a realidade. Quando começamos falar das nossas dificuldades e portas fechadas ao assumir nosso cabelo natural, por exemplo, já surgem memes de “mimimi”, é frustrante! 

Eu não sou expert no assunto, nem tenho a pretensão de esgotá-lo, mas esse termo foi banalizado demais, precisamos conversar mais sobre isso. Discutir, desconstruir essa hipocrisia que paira no feminismo hoje. Não faça como aquela senhora! Não faça. 

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