Sobre uma mina preta

Uma infância de apelidos, pensava que era normal,
Seu cabelo, suas formas odiava por não ser “tradicional”,
Cresceu preterida, mais uma na estatística da solidão…
Sororidade irmã, tamo junto nessa desconstrução.

Uma mídia elitista, machista incita a cultura da mulata tipo exportação,
No carnaval somos musas, mas liga a TV e conta quantas pretas aparecem, tirando as empregadas e histórias da escravidão.

Racismo velado? Só se for pra você, mina de pele clara, traços finos, cabelo alisado, esteticamente aceitável… Salve, salve o colorismo nega!

Agora, deixa teu black crescer, põe seu turbante e dá um rolê pra tu ver…
Dói irmã. O racismo é escrachado!

Mina preta é resistência, luta, resiliência.
Na treta sua pele preta já lhe faz suspeita…
São maioria nas penitenciárias brasileiras.
Justiça? Depende de quanto você tem…

Cansamos heim!
Vamos enegrecer esse planeta.
Queremos ver pretas retintas em todas as classes, empregos e propagandas,
Representatividade, respeito, igualdade de direitos…
Nossa carne é a mais barata do mercado, já dizia Elza Soares…

Difícil ser mina preta!

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A hipersexualização da mulher negra

Faz tempo que estou para falar sobre o assunto. A hipersexualização da mulher negra não é algo evidente apenas no “carnaval carioca”, mas em todo tempo, em todos os meios! Contudo, pior do que o rótulo de “mulata tipo exportação” é ver crianças, adolescentes (e aqui digo negras e não negras), principalmente de áreas periféricas, se hipersexualizando por acharem que assim, vão ser queridas, desejadas ou no deturpado pensamento de alguns… “empoderadas”.

Conta-nos Gilberto Freyre em Casa-grande & senzala que, havia um ditado corrente no Brasil patriarcal a respeito das mulheres: “branca para casar, mulata para foder e negra para trabalhar”.  

Ps. pensei em “amenizar” a frase, mas decidi deixar na íntegra pois não “amenizam” nossa dor, não é mesmo? Agora diga-me, mulher de 2017, sinceramente, esse ditado do Brasil patriarcal, mudou algo hoje em dia? (Deixa sua resposta nos comentários, por favor).

Eu poderia relatar vários casos aqui… Exemplo a “Globeleza“, que no último carnaval apareceu coberta, para surpresa de todos. A mulata tipo exportação para gringo ver, veio repaginada este ano. Houve comemoração por parte de mulheres que se sentiam aviltadas com o que consideravam “objetificação do corpo feminino”, houve quem considerasse a decisão da emissora um reflexo de uma onda conservadora no país, ou seja, uma linha muito tênue que separa a hipersexualização da liberdade de expressão.

Nas zonas nobres da cidade do Rio, mulher negra “do corpão” andando na orla da praia, é constantemente abordada por gringos como prostituta. Por que será? Uma cultura infeliz enraizada em nosso país, e ainda  há quem diga que esse assunto é “mimimi”.

Propaganda alvo de ação judicial teve por unanimidade a seguinte decisão: “Com base no raciocínio que construí, entendo que a propagada apresentada não se inclui como ofensiva ou discriminatória”. Pasmem!

A sensação é de impotência, surreal manas! Vemos nossos corpos negros expostos como objeto de desejo, e a “justiça” diz que “está certinho”, “sem problema algum”. Como está escrito na primeira imagem:  “Não deixem que te façam pensar que o nosso papel na pátria é atrair gringo interpretando mulata“. Preta, se você tem “corpão”, “bundão”, que bom! Mas você é bem mais que isso viu?!

Num outro cenário não tão distante, observo crianças e adolescentes, tendo sua infância erotizada, a maioria negras e de regiões periféricas, sendo bombardeadas diariamente por conteúdos que as fazem se hipersexualizarem, muitas vezes apoiadas ou incentivadas pelos próprios pais.

As meninas, por outro lado, são incitadas a se hipersexualizarem para chegarem a uma feminilidade hegemônica”  diz Maria Luiza Heilborn, professora do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ou seja, o recado da mídia é: quando mais “gostosa” a mulher for, mas poder ela terá.

É deprimente! As consequências são bem mais profundas do que se espera, não trata-se apenas de crianças vestidas como adulto ou um adolescente com roupas excessivamente sensuais, é todo um despertar psíquico e comportamental de forma PRECOCE para uma vida sexual, por exemplo. 

Não é a violência que cria a cultura, mas é a cultura que define o que é violência. Ela é que vai aceitar violências em maior ou menor grau a depender do ponto em que nós estejamos enquanto sociedade humana, do ponto de compreensão do que seja a prática violenta ou não”, diz Luiza Bairros, doutora em Sociologia pela Universidade de Michigan e ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir).

Pais, tenham cuidado com seus filhos, eles tem vocês como o primeiro exemplo.

Não tive a pretensão de esgotar o assunto, mas o trazer à tona para que possamos juntos refletir… Vamos ter consciência de que nosso corpo não é bagunça e que nossas crianças tem direito de serem crianças! Não incentive nem permita que essa infância seja deturpada, que a “inocência” seja precocemente extinta, por favor.

 

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Afinal, o que esse tal de empoderamento feminino?

Afinal, o que é esse tal de empoderamento feminino?

Ontem, minha irmã pediu minha ajuda para desenvolver um trabalho de escola, cujo tema era o empoderamento feminino do Brasil. Antes ela tinha elaborado um texto, eu o analisei e cheguei a seguinte conclusão: nós mulheres precisamos conversar mais sobre isso!

Então vamos lá…

Você sabe o conceito de empoderamento? Empoderar é “dar poder”. Mas que “poder” é esse? Poder de posicionamento das mulheres em todos os campos sociais, políticos e econômicos. A luta pela representatividade é diária. Trata-se de uma consciência coletiva, expressada por ações que promovem o fortalecimento das mulheres e a equidade de gênero.

Segundo a ONU, Empoderar mulheres e promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia são garantias para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, e para o desenvolvimento sustentável“, sendo assim, em 2010 foram estabelecidos alguns princípios de empoderamento das mulheres, vejamos:

🙋1- Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível.

🙋2- Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação.

🙋3- Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa.

🙋4- Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres.

🙋5- Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing.

🙋6- Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social.

🙋7- Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

Para saber se esses princípios vem sendo aplicados, basta você perguntar a 2 ou 3 amigas como é no trabalho dela… Infelizmente há empresas que sequer “ouviram falar” disso. Lamentável! 

As definições de empoderamento são inúmeras, mas na prática, como isso funciona? O empoderamento feminino “diz”: mulher você pode! Você é capaz. Sua saia curta não te faz culpada pelo estupro! Se você quiser ser bela, recatada e do lar, ok! Mas se discordar disso, ok também!

Bela ou não, quem define senão seu próprio eu?
Recatada ou extravagante, submissa ou insubordinada,
Do lar, do bar, workaholic ou à toa…
Deem paz às suas escolhas.

Estereótipos impostos como padrão pela mídia,
Um estilo de vida exaltado de forma machista!
Tudo bem se “ela” está de boa com isso…
Só não esperem que nós, aplaudamos isso.

Já diziam por aí…
Lugar de mulher é aonde ela quiser.
Concordo plenamente!

Não nos diga para ficar quietinha, fazer cara de boazinha e ser prendada na cozinha,
Jaz mulheres passivas,
Hoje temos uma consciência empoderada.

(Ananza Figueiredo)

 

Imagina uma corrente de mulheres de todos os biotipos, etnias, estilos, classes sociais, níveis de escolaridade, num mútuo respeito. Sororidade, para desconstruir uma cultura patriarcal onde afirma que as mulheres devem estar sempre competindo entre si, numa posição de rivais. Isso é empoderamento.

Tempos atrás eu pensava: “prefiro ser chefiada por homem do que por uma mulher. Mulher é cheia de frescuras, muda de humor várias vezes por dia, pode cismar comigo, é invejosa, vingativa…” Sinto até vergonha de confessar isso, mas era de fato o que eu pensava! Mas por quê? Foi o que ouvi durante anos… E provavelmente em algum momento da sua vida, também já deve ter tido esses pensamentos infelizes que silenciaram e barraram o empoderamento de muitas mulheres ao nosso redor.

Se fosse eu a me candidatar para um cargo de chefia? Conseguem compreender o abismo que inconscientemente muitas de nós criamos ao longo do tempo? A conscientização de que não somos inimigas é um processo longo!

O empoderamento promove a autoestima, a conscientização e força para lutar por igualdade de direitos, pela liberdade de ser ou não ser, de estar, de viver e trabalhar como e onde queira. Outra questão que muito observo e pouco vejo falarem:  a busca pelo conhecimento. No meu ponto de vista é o principal fator de empoderamento. Obviamente isso vale não só para as mulheres, mas para todos.

No entanto, dentro do contexto que está sendo exposto, uma mulher empoderada não é só aquela que como eu, assume seu cabelo crespo, sua real identidade, é também e principalmente, aquela que conhece seus direitos, seus deveres, seu papel social, seus valores e necessidades, que tem capacidade para falar de “igual para igual”. Digo isso pela nossa sociedade que ainda é majoricamente machista e dificulta ou veta a participação da mulher em vários seguimentos.

Mulher, não antene-se apenas no que está nas redes sociais, busque conhecimento em outras fontes. Volte a estudar e se ainda estuda, aprofunde-se. Sonhe e ouse, mas esteja preparada para qualquer que seja sua escolha.

Há inúmeros textos sobre empoderamento na internet, leiam! Sempre digo, não sou dona da verdade, essa é apenas a minha visão e minha vivência sobre o tema, não tive a intenção de esgotar o assunto. Mas com todo amor espero que vocês tenham compreendido o que é e qual a importância empoderamento feminino em nosso dia a dia.

Fiquem na paz.

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Mães encarceradas, filhos condenados?

Sonhos estagnados numa cela,
Como se a realidade já não fosse suficientemente dura.
Dúvidas que pairam um muro,
Inocentes, reféns do sistema.

É questão social? Pare pra pensar!
Que moral o Estado tem pra determinar o futuro de alguém?
Confortável, você julga,
Mulheres sedentas de ajuda!

Seis meses de felicidade paralela,
É o cronômetro da ruptura.
O que faria no lugar delas?

A dor no peito não cabe,
São olhos fitos na grade,
A voz embarga, no último adeus.

Recentemente, Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, foi beneficiada pela prisão domiciliar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que restabeleceu a decisão do juiz Marcelo Bretas, por entender que os filhos menores do casal, de 10 e 14 anos, não podem ser privados simultaneamente do convívio com os pais.

Até aí tudo ok se… O benefício da “prisão domiciliar” fosse aplicada a TODAS as detentas que possuem e necessitam desse direito. Dispõe o artigo 117 da Lei de Execução Penal (LEP):

                                                                       

Art. 117. Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de:

III – condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental;

IV – condenada gestante(grifos nossos)                                                                                                                                                                             

Atualmente, as mulheres representam 6,4% da população carcerária do Brasil, que é de aproximadamente 607 mil detentos, a quinta maior população carcerária feminina do mundo.

Segundo um estudo do Ministério da Justiça, a maioria das mulheres presas no país (68%) é negra, enquanto 31% são brancas e 1%, amarela. No Acre, 100% das detentas eram negras em junho de 2014. O segundo estado com o maior percentual é o Ceará, com 94%, seguido da Bahia, com 92% de presas negras.

Não é preciso entender de Direito, muito menos de estatística para comparar o “caso da ex primeira dama” com a realidade das detentas do Brasil, é frustrante! A mulher gestante presa ou com filho menor, se for negra e não tiver condições financeiras para custear um advogado, infelizmente ela terá os piores tratamentos dentro do sistema carcerário, haja vista ele ter sido “criado” em toda sua estrutura para homens.

Presos que menstruam, por Nana Queiroz

Eu ainda não consegui terminar o livro, de tanto que choro com cada relato… A forma cruel, desumana que o Estado trata as mulheres presas é revoltante, e isso triplica quando estão gestante. é de embrulhar o estômago. Elas estão ali para cumprir uma pena, mas se fosse você no lugar delas?

Vamos viajar um pouco… Você é mãe de uma menina linda, com 3 anos de idade. Você precisa trabalhar e a deixa com seu marido, que está de folga nesse dia. Mas você esquece sua carteira e volta… Flagra o infeliz estuprando sua menina. O que você faz? Opção 1: Ora. Opção 2: Chama a polícia. Opção 3: voa em cima do desgraçado e “acaba” o matando… Bem, se você como eu, escolheu a opção 3, com toda certeza será presa, e se estiver “pela Defensoria Pública”, poderá ser mais uma a relatar frases como essas do livro:

“Sabe, tem dia que fico caçando jornal velho do chão para limpar a bunda” – Maria Aparecida

A vida da presa é assim: não pode nem olhar se nasceu com todos os dedos das mãos e dos pés“, conta Gardênia, que ficou algemada à cama durante boa parte do trabalho de parto e, quando sua filhinha Ketelyn nasceu, não pôde sequer pegar o bebê no colo.

Aline, durante a detenção em Belém do Pará, tomou uma paulada na barriga e ouviu do policial:Não reclame, esse é mais um vagabundinho vindo para o mundo”.

Está chocado(a)? Fo** é saber que temos uma lei que só funciona para quem pode custear a garantia dos seus direitos. Que o Estado é negligente, isso não é novidade! Mas eu, você, sociedade, não podemos mais ser omissos! O “benefício” concedido à mulher do cidadão que afundou o Estado do Rio de Janeiro é um verdadeiro tapa na cara nas detentas brasileiras.

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Manifesto no SPFW 2017 – Basta ao assédio!

Justo no mês que eu tinha tanto conteúdo bacana para postar, todos os imprevistos possíveis surgem e não consigo cumprir o planejado… Mas vamos lá! 

Na última quinta, dia 16/03 rolou o São Paulo Fashion Week, e o desfile de Amir Slama surpreendeu a todos, trazendo frases de repúdio ao assédio no corpo das modelos.

Trata-se da campanha ‘Sexismo Invisível’, idealizada pelo Estado e assinada pela agência de publicidade FCB, com o objetivo de promover o debate sobre o assédio, muitas vezes velado, cometido contra as mulheres.

É ótimo que a questão do assédio está sendo exposta em um evento de visibilidade internacional, contudo, é lamentável que nós mulheres precisemos “gritar” nosso nojo a esse comportamento hostil que nos inferioriza, inviabiliza, deprime, constrange!

A luta é diária ✊ É resistência, insistência pela conscientização do dever do respeito a nós, mulheres, com muita, pouca ou ausente de roupas. 

As mensagens foram bem “sutis”, porém, diretas. A tinta especial só aparecia com a luz do flash. Ideia genial! Obrigada Estadão e Amir Slama por levarem esse nosso manifesto às passarelas.

Assistam ao desfile completo 👇

Quem determina o que está na moda é o consumidor. E a moda ajuda a mulher a se expressar e a se colocar”, diz Amir Slama. “Muitos homens ainda encaram como uma provocação o fato de as mulheres quererem usar roupas curtas ou decotadas. Isso é um absurdo”.

Não podemos nos calar, é cansativo, eu sei! Mas acredite mulher, a culpa não é da sua roupa se você for assediada, estuprada, morta! Não pense que você “deu motivos”. O único motivo para que um cidadão te ofenda e invada teu espaço de tal maneira é a falta de educação, limites e total ausência de caráter deste ser.

O assédio não é paquera nem elogio. É uma manifestação grosseira, independentemente da vontade da pessoa a quem é dirigida e que pode ser configurado crime. DENUNCIE: 180 (Central de Atendimento à Mulher). 

🗣 Já passou (ou tem passado) por alguma situação dessas? Comenta aqui, vamos conversar.

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