Porque não escrevo para crianças

Perguntaram se eu não escrevo para crianças. Depressa disse que não. Mas logo me peguei pensando, por que não? Foi tão espontâneo essa negativa, estranho. Na verdade, bem lá no fundo eu sei. Tenho medo. Imagina uma criança lendo meu eu. Sim, porque crianças lêem nossa alma. Elas nos desconcertam, nos inquietam,  desconstrói a gente num sorriso, num simples gesto. Elas descobrem nossos medos mais secretos, desmoronam nossas defesas com descaradas perguntas. O que eu poderia escrever para elas? Ah se soubessem… A grande verdade é que os adultos são muito mais inseguros que vocês, a diferença é o orgulho e a maquiagem. Disfarça quase tudo. Reparem que evitamos olhar nos olhos. Velha tática, para vocês não enxergarem nossa alma.

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É possível florescer na lama?

Outro dia passei pela rua e por certo tempo fiquei observando as árvores na beira da calçada. Uma em especial me chamou atenção. Era tão verde, tão viva, parecia de plástico de tão perfeita. Olhei ao seu redor e só tinha sujeira e lama. Como pode? Questionei. Lembrei da flor de lótus. A lógica da vida é que “somos produto do meio”, não é mesmo? Uma análise complexa em menos de um minuto de observação. Só pude concluir uma questão: somos aquilo que nos permitirmos ser. E quem dera de fato se nos permitíssemos… Ser aquilo que foi desenhado para nós desde antes da nossa concepção. Cumpriríamos nosso propósito, nossa missão. Independentemente de companhia e circunstâncias, sim é possível florescer na lama.

Ps. Na dúvida, observe a natureza.

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