A mulher negra no Judiciário ✊🏾

Uma das pautas mais importante e menos discutida hoje é a visibilidade da mulher negra no Judiciário. Ano 2019, e ainda somos diariamente violentadas por olhares de desdem, os motivos? Nossa cor, nosso cabelo. Mulheres com medo (pasmem) de perderem clientes ou serem “destratadas” por magistrados, submetem-se a procedimentos químicos capilares para ficarem “esteticamente aceitáveis“. Precisamos conversar sobre isso!

Mayara Silva de Souza, 23 anos: a advogada e poeta trabalha pela autoestima de meninas e quer que as conquistas das mulheres negras sejam vistas como algo normal.

A população negra representa mais de 60% do país, mas ainda causamos polêmica quando assumimos nosso cabelo natural dentro de ambientes elitizados, cuja maioria ainda é machista e eurocêntrica. São inúmeros os relatos de discriminação racial dentro do Judiciário, e quando colocamos isso em pauta, tentam nos silenciar! É cruel.

O racismo é uma estrutura de poder e aqui no Brasil na maior parte das vezes é velado, minimizado, e por este motivo precisamos de diversos atos políticos para combater e desconstruir toda essa estrutura hipócrita, enraizada na sociedade brasileira. Enfrentamos a barreira do preconceito, ironicamente no local onde mais deveria existir “igualdade de direitos”.

Numa entrevista para a Revista Planeta, a advogada Mayara Silva de Souza relatou:  “Quando digo que sou advogada, escuto uma interjeição de surpresa. Quantas amigas brancas são advogadas e ninguém se surpreende? Quero que nosso cabelo e nossa cor deixem de ser polêmica… As pessoas precisam entender que, quando estiver bom para a mulher negra, estará bom para todos“.

A luta, o enfrentamento é diário, mas ele se mostra invisível e inúmeras vezes desapercebido por autores e vítimas. Precisamos nos posicionar em todo o tempo, denunciar o racismo, o preconceito de gênero, ocupar e resistir!

Lembro da cerimônia de entrega da carteira da OAB, na cidade de Campos dos Goytacazes, eu, a única negra. Ainda usava o cabelo alisado, e nesse dia “caprichei na prancha”, para não “destoar” do ambiente que eu iria. Mas não adiantou, era inevitável não reparar os olhares, a princípio curiosos, pois além de negra, eu era nova na cidade. Hoje, quando passo pelos corredores do fórum com meu cabelo black, vejo os olhares de nojo, curiosidade, reprovação e também de empatia (quando outra negra passa por mim).

Minha mãe orgulhosa, me acompanhando na cerimônia de entrega da carteira da OAB.

Necessário identificarmos e  compreendermos as demandas do nosso local de fala, do nosso ambiente de trabalho. Queremos, precisamos de representatividade em todos os lugares!

Marina Marçal, coordenadora do Grupo de Trabalho (GT) Mulheres Negras, da Comissão OAB/Mulher do Rio de Janeiro/RJ, apresentou o documentário: Você não tem cara de advogada, que traz a experiência de colegas negras no dia a dia de trabalho. Frases como “você não está no nosso padrão”, “seu estilo é alternativo”, “o que você fez pra conseguir cursar essa faculdade cara?”, são frequentes e reforçam a máxima de que para uma mulher negra ser vista como boa, ela precisa ser ótima!

Então diga-me, qual é o seu local de fala, conte-me suas experiência.

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