Os quatro elementos da dor

Hoje é apenas dia 11 de fevereiro do ano de 2019, e as tragédias no país são avassaladoras…

25 de janeiro – TERRA: mais uma barragem da mineradora Vale se rompeu, dessa vez em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Até o memento 165 pessoas mortas e 160 continuam desaparecidas. As imagens mostradas em rede nacional do desespero de quem tenta fugir de um mar de lama, cuja altura era de um prédio de trinta andares é insano!

06 de fevereiro – ÁGUA: temporal na cidade do Rio de Janeiro deixa mortos, soterra ônibus e destrói, novamente, ciclovia. O atual prefeito decretou luto de três dias. Até quando? Todos os anos a mesma dor se repete, e nada muda…

08 de fevereiro – FOGO: um incêndio atingiu o Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro.  Dez sonhos encerrados! Todos jogadores da base do clube entre 14 e 16 anos. 

11 de fevereiro – AR: morre o jornalista Ricardo Boechat, aos 66 anos em um acidente de helicóptero na Rodovia Anhanguera, em São Paulo. O piloto e o co-piloto também não resistiram.

É tempo de chorar

Em meio a tanta desgraça há quem ache motivos para fazer piadas os especulações sobre a morte de tantas pessoas. Seja por idade, doença, acidente ou crime, a dor da morte, para quem fica, é diferente mermão? Creio que não!

Vidas cessadas em questão de segundos, e eu aqui, com um bebê dentro de mim… Pensando no mundo caótico em que ele vai nascer, viver e lutar dia após dia para sobreviver. Quem somos nós? Desejo que a dor dessas famílias doa em você. Desejo  que nesse momento  eu e você desçamos, que seja sepultado nosso eu, nosso ego, nosso orgulho, toda nossa vaidade.

Esse post não é para ser considerado “visceral”, nem para alguém dizer… UAL! É um daqueles textos pra gente se despir de nós mesmos. O sentimento que paira em nosso país é de luto, de indignação. Famílias choram, filhos esperam seus pais na janela, que nunca voltarão…

Resiliência é conseguir levantar a cabeça no dia seguinte e conseguir caminhar, aos trancos e barrancos insistir na vida, enquanto temos uma. Como somos pequenos! Nosso coração e nossa fé estão sendo provados dia após dia. Sejamos misericordiosos, sejamos gratos!

 

 

 

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Filho

Quando descobri que te esperava,
Precisei me desarmar de tudo que pensava…
Jesus ouviu minha oração simples na cozinha,
Aquele dia de tardinha, lavando a louça…
Eu te queria, como queria!
Mas o medo era meu gigante.

Pelas minhas contas você já estava aqui,
Em mim.
Mas eu ainda não sabia,
Meu presente de 30 anos já estava embrulhado.

Nos três primeiros meses eu sofri bastante filho,
Acho que você também né?
Estávamos nos acostumando,
Nossos hormônios a mil,
Sua testosterona me fez odiar tudo que amo,
E pedir um açaí de 500 ml, às 23h, que detesto!

Eu lembro do primeiro dia que te senti mexer,
Você me fez cócegas filho, eu ri!
Depois eu viciei, e quando você fica quietinho eu te cutuco,
Fala comigo! Ei, você tá bem?

Estamos na reta final!
Falta bem pouco pra eu conhecer seu rostinho,
Pra você chorar e me fazer sentir impotente por não entender o que precisa,
Pra eu morrer de amor contigo nos meus braços,
Pra eu chegar do trabalho e você abrir seus bracinhos chamando por mim!
Mãe, mamãe.

Te olhar todos os dias,
Lembrar com detalhes do processo,
De espera, amadurecimento, dor e aprendizado…
Ter a responsabilidade diária de formar um cidadão de bem,
Cuidar da sua saúde física, mental e espiritual,
Com a consciência de que um dia você vai trilhar seu caminho,
E vai sair das minhas asas,
Para voar.

De uma coisa eu tenho certeza,
Aqui dentro tudo mudou, para sempre.
Você veio para me ensinar,
Sobre o verdadeiro amor,
Sobre a real resiliência.

Que Deus te abençoe meu filho,
E sobre ti seja derramada toda Graça.
Venha no seu tempo,
A dor que eu vou sentir é pra gerar vida!
E quando o oxigênio entrar em seus pulmões,
Seu primeiro choro,
Eu serei a primeira a te abraçar e dizer
Estou aqui, sempre estarei!
Amado do Senhor.

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Consciência Negra?

Curioso que, nos últimos anos essas palavras tem feito mais sentido do que nunca…

Se a gente reparar bem, as crianças negras de hoje, principalmente as meninas, já nascem empoderadas por seus pais, graciosamente enfeitadas com mini turbantes, e de presente recebem bonecas pretas, de cabelo crespo para brincarem. Crescem e dispõem de variedades de literatura onde elas realmente se vêem representadas. Cenário esse, que nem sempre foi assim.

Consciência negra, no sentido literal, não é algo que poderíamos afirmar que tínhamos uns tempos atrás. Digo por mim mesma! Me lia como “cor de jambo”, “moreninha” “morena escura”, mas NeGRA, isso eu não dizia jamais.

O reflexo disso é extenso… Lembro da minha visita a Salvador/BA, meu berço familiar patern e da importância que eu NÃO dei a história da minha ancestralidade.

Vinte anos relaxando a raiz do cabelo, deturpando meus fios e não aceitando quem de fato, eu sou. E nesse ponto, precisamos sempre enfatizar, que uma negra de cabelo liso quimicamente tratado, em 99% dos casos, não é uma questão de gosto! É um casulo, uma estratégia para sermos “melhor aceita” na sociedade, onde o padrão de beleza até hoje é eurocêntrico.

Estamos evoluindo, não posso negar! Já podemos encontrar em lojas populares cosméticos para o nosso “tom de pele” (e viva o colorismo!). Falando em tonalidades, vocês viram a edição de “cor de pele” que a marca brasileira PintKor fez? Achei o máximo!

Mas o que me preocupa, é  a quantidade negros que ainda não tem essa “consciência”, que fazem dos seus privilégios uma regra e não a exceção. Que não param, ao menos por um minuto para olhar entorno, e ter o mínimo de empatia.

A cor da nossa pele não nos torna inferior ou superior, né? Mas deixa seu black crescer, e vai de havaianas numa loja de grife, apenas “dar uma olhadinha” nas roupas. Disfarçadamente, conta quantos seguranças e vendedoras vão te seguir fixamente com os olhos. Coisa da nossa cabeça não é mesmo?

Episódios de racismo são diários, inúmeros, insistentes e covardes. Mas o dia de hoje é para eu e você não esquecemos de quem somos, da onde viemos, onde estamos, e onde precisamos chegar.

Ainda bem que meu e seu filho, já nascerão com essa consciência. Porque estamos lutando para isso, certo?

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2º trimestre da gravidez: quem somos nós?

Chegamos no segundo trimestre! A barriga já apareceu, a ficha enfim caiu, há um serzinho crescendo dentro de mim.

Estamos no meio do caminho… As náuseas diminuíram 98%, as cólicas desapareceram e o medo estabilizou. Mas e agora, quem somos nós? As roupas já não cabem mais, estamos ficando irreconhecíveis no espelho, as vezes queremos aconchego, as vezes ficar só! Sentimos uma fome absurda, e a culpa, de sentir culpa por estar engordando… A grana está curta, será que daremos conta de todo enxoval até o parto? As pessoas nos olham com ternura, acham todas as grávidas lindas, enquanto nós… 

Não posso negar, estou me sentindo bemmm melhor do que no 1º trimestre! Mas as transformações em nosso corpo acontecem tão rápido, uma explosão de hormônios que não dá tempo nem da gente pensar… É desesperador, e ao mesmo tempo maravilhoso!

Tenho visto muitos vídeos de grávidas e mãezinhas, onde elas relatam suas experiencias, e isso é ótimo! Bom saber que não é só eu que penso: “será que meu bebê tá vivo?”, “acho que vou fazer uma uma ultra, tem algo errado“, “meu bebê parou de mexer“, “vou morrer no parto“, “minha barriga deveria estar maior” (Risos) É tenso!

O segundo trimestre engloba a 13ª até a 24ª semana de gestação, nela o risco de aborto espontâneo diminui para 1%, assim como o risco de mal formação do sistema nervoso. Um dos exames mais importantes dessa fase é a translucência nucal, essencial para saber se o bebê tem Síndrome de Down ou outras doenças genéticas. 

Eu não contei a MELHOR PARTE: É nessa fase que sentimos nosso bebê mexer pela primeira vez! Umas cócegas bem singelas, o suficiente para a gente se sentir a pessoa mais especial do mundo!

No mais, estou pensando seriamente em usar uma fralda ou dormir no vaso, porque olha!

E vocês meninas, contem suas experiências do 2º trimestre, vou amar saber!

Beijinhos

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Ser humano bicho

Estava vendo as notícias…

Em breve teremos alterações no Estatuto do Desarmamento, onde será “facilitado” ao “cidadão de bem”, a compra de arma de fogo de uso permitido, claro, com todos os requisitos, normas, exigências, etc, etc.

Daí eu questiono… Você sabe o preço de uma arma? O cidadão de bem que vai adquiri-la não é o pobre! Pobre não vai deixar de pagar as contas para comprar uma arma de fogo.

Na mesma linha, não é o pobre que financia o tráfico!

Mas é de pobre que as penitenciárias femininas e masculinas estão lotadas! Porque o “perfil social” do bandido é preto e pobre.

Nosso país não tem educação para armar os cidadãos. O sistema judiciário é racista, elitista e seletivo! Não estou falando sobre algo que li por aí, estou afirmando fatos dos quais eu vivo e convivo!

Para que seja mudado um Estatuto como tal é necessário alterar todo um conjunto, o que não será feito.

Um homem negro portando arma de uso permitido, devidamente registrada, habilitado, foi parado em uma “blitz” pela Polícia Militar. Apresentou seus documentos, O PM pediu um dinheirinho pra tomar café, ou então… “plantava” uns acessórios extras no carro do cidadão. Mas o rapaz estava todo correto, deixou ser levado para a DP. Não pagou! Mas para sua infelicidade a delegada também pediu um trocado, afinal, polícia não mente! Ele chamou o advogado… Não adiantou, o sistema é comprado da base ao topo! Conclusão: ele foi condenado e responde até hoje.

Sabe jogo da vida, quando tiramos a carta errada? Volte 10 casas. Voltemos… Educação começa em casa!

Eu trabalho em uma clínica odontológica particular, onde os pacientes pagam mensalmente um determinado valor. Observo os responsáveis ao levarem seus filhos pequenos, os deixam subir nas cadeiras, pendurar no balcão, molhar, sujar o chão, riscar as paredes. Gente! O que é isso? É o dinheiro deles que está ali! Eu realmente não entendo.

Num outro cenário não tão distante, o governo constrói e entrega escolas para o Ensino Fundamental e Médio, o que os alunos fazem? Sucateiam, destroem, quebram, acabam com tudo!  Culpa do governo? Não! Vandalismo é responsabilidade individual e coletiva.

Agora pense: pessoas que estão com sua liberdade cerceada, cercado por grades, defecando no chão e se equilibrando para não serem mordido pelos ratos, com tanta coisa para se preocuparem… Arrumam tempo para humilhar, violentar e matar aqueles cuja orientação sexual é diversa da deles.

Nós cumprimos duas sentenças aqui: uma imposta pelo juiz e outra imposta pelos prisioneiros”. Relato de um presidiário homossexual publicado no relatório O Brasil Atrás das Grades: Abusos Entre os Presos, da ONG Human Rights Watch“.

São diversos exemplos e o mesmo problema: falta de educação! Ser humano bicho.

O que é mais fácil? Armar a população “de bem” ou desarmar o “poder paralelo”? Eu e você temos a resposta, mas de boa… O dia que eu deixar de ver fuzil nas mãos de moleque de 13 anos na Av. Brasil fazendo arrastão, eu refaço esse post! Por enquanto, a segunda opção é utopia, e a primeira, infeliz decisão.

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